Três anos depois.

E já se vão três anos que eu sai da barriga da mamãe. Eu gostava de lá, quentinho, gostoso, mas também adoro minha vida aqui fora, cheio de amigos e brincadeiras.

Para comemorar, papai e mamãe prepararam mais uma festa daquelas. Desta vez com direito a presença do Mickey e da Minnie, que vieram lá da Disney só para o meu aniversário. A festa estava cheia, com familiares, amigos da creche e da escola. Eu me diverti muito com a Meleka de Jacaré, o pula pula e meus personagens favoritos.

A festa este ano foi dois dias antes, já que papai ia viajar logo depois. Então no dia mesmo do meu aniversário ainda teve bolo sem ovo aqui em casa. Aproveitamos para acabar com os docinhos que sobraram da festa.

De volta…

Já faz quase um ano que não passo por aqui. Muitas coisas, boas e nem tão boas assim aconteceram, e mamãe anda muito sem tempo para escrever. Vou tentar não sumir mais por tanto tempo.

Há seis meses minha bá Cida virou estrelinha. Fiquei muito triste, com saudades. Em compensação, ganhei uma bá nova, que também gosta muito de mim. É a Denise, maluquinha, maluquinha…

Descobri também que meu coraçãozinho tem um problema e, um dia, ainda não sei quando, o médico vai ter que consertar. No começo papai e mamãe se assustaram muito, mas agora já estão sabendo lidar com isso. Até porque eu não sinto nada e não tem chance de um mal súbito. Posso fazer tudo o que quiser: pular, correr, brincar. Sei que papai do céu está olhando por mim e  eu não paro um minuto.

Quer dizer.. Agora eu paro para ver meus desenhos e DVDs favoritos, que são muitos: Peter Pan, Mickey, Thomas, Smurfs, Bob Esponja, Sítio do Picapau Amarelo… Só ainda não me acostumei com uma coisa da TV: o desenho para no meio, na melhor parte, e entra um tal de “comercial”. Eu reclamo muito, mas mamãe chama minha atenção: ela diz que fazer comerciais é o trabalho dela e sem ele eu não tenho como ganhar presentes, ir para escola e ter festas de aniversário. Estou tentando entender…

Também adoro ir ao teatrinho e, para este programa, quase sempre conto com a companhia da minha prima/amiga Lulu. Neste tempo que fiquei afastado daqui, a gente se divertiu juntos com Papati Patata, Cocoricó, Mágicas do Mickey, A Galinha Pintadinha, O 3 Porquinhos e muitas outras peças. Como nossos pais são muito amigos a gente também vive um na casa do outro, sai para almoçar e para jantar. Aliás, a Lulu fez 3 anos há pouco tempo e ela estava linda na festa, fantasiada de Branca de Neve.

Tenho outro amigão aqui no prédio, que é o Tutu, filho da tia Lú. Ele ganhou um irmãozinho, o Henrique. Outro dia pedi ao papai para comprar um “rimão” pra mim também, mas tô achando que isso não vai rolar.

Meu prédio continua animado, com muitas festas. Até o reveillon de 2011 para 2012 foi aqui. Curti a virada ao som de Michel Teló com meus amigos do prédio e minha namorada Bia. Em fevereiro, teve balinho de carnaval. Por sinal, este ano eu aproveitei muito o carnaval. Virei Peter Pan e pirata! Muito legal este mundo encantado das fantasias.

Já faço quase tudo sozinho e nem gosto muito de pedir ajuda: escovo os dentes e como a pasta; desço e subo escadas sem parar; como sozinho e ainda pego o que quero na geladeira; ajudo papai na cozinha e adoro ficar ao lado dele quando resolve consertar coisas; pinto, desenho, ouço e conto histórias; falo perfeitamente, até inglês; conto até 10  nas duas línguas. Já conheci Gonzagão, Tarsila do Amaral, Candinho, Pixinguinha e Carlos Drummond de Andrade; aprendi que Paris é a cidade luz e que lá tem a Torre Eiffel e a Catedral de Notre Dame; descobri o que é colmeia, zangão, abelha rainha e apicultor; durmo sozinho mo meu quarto, mas de vez em quando mudo para a cama dos meus pais de madrugada. E agora estou aprendendo a nadar sem boia.

Me formei no Favo 1 e estou no Favo 2. Enfim,  já sou um menino grande, mas, de vez em quando, ainda me chamo de “neném”.

Quem tem medo do Lobo Mau?

Cada vez mais gosto de livros, contação de histórias e teatrinho. Neste momento ando encantado com Os 3 Porquinhos e Chapeuzinho Vermelho. Tudo por causa de um tal de Lobo Mau que parece que nem sempre é tão mau assim.

Ontem mamãe e papai me levaram para ver uma versão meio doida de Os 3 Porquinhos no Fashion Mall. Neste caso, o Lobo Mau se torna legal e entra pra banda dos porquinhos. Aliás, papai morreu de rir como Lobo Mau, que mamãe achou “mucho loco”. Eu adorei.

Lulu, tia Drica e tio Spina também foram.

Depois fomos todos para o Rora 66 comer nachos e ver o jogo do Mengão.

Capoeira Camará!

Mamãe sempre sonhou com um filho que pegasse onda e fizesse capoeira. Ainda não me aventurei com uma prancha no mar (aliás, tio Rick, do próximo verão não passa, hein?!), mas comecei na capoeira ainda bem pequenininho. Parei por um tempo, mas agora voltei com força total. As aulas são lá na creche, com o Passarinho. Já aprendi muitos bichinhos como o sapo, o macaco, o elefante e a borboleta. Mas o que mais gosto é de ficar de cabeça pra baixo. Temos até um grito de guerra: Capoeira Camará!

 

 

Capoeira Camará

Pedro Moreno

Roda o pé na capoeira
Gira o mundo camará
Quem luta fica de pé
Mas quem não sabe cairá
Capo, capo, capo, capoeira
Camará entrei na dança
Desde a hora em que nasci
P’ra mamar chorei bem alto
P’ra amar só aprendi
Dentro da roda da vida
Apanhei como bati
Nas lutas do coração
Muitas vezes eu perdi
Capo, capo, capo, capoeira
Viver é estar em movimento
Se parar, lá vem um pé
Já levei muita rasteira
Nesta via eu levo fé
Camará vida ciranda
Vamos todos cirandar
Roda o pé na capoeira
Gira o mundo camará
Capo, capo, capo, capoeira

O Desfralde.

A tão temida operação desfralde teve início logo após Mateus completar dois anos. E mais uma vez preciso dizer que foi muito mais simples e tranquilo do que imaginava. O ideal, dizem, é desfraldar no verão, para que a criança possa ficar de cuequeinha o dia todo, evitando muitas roupas molhadas. Mas no próximo verão ele já estaria com quase três anos e não achei que seria adequado esperar tanto. Era melhor começar logo, antes que esfriasse mais.

De primeira, cometi um grande erro. Deixava ele sem fralda em casa, mas colocava fralda para sair. Levei um “puxão de orelha” da creche. Não se deve fazer isso, porque confunde a criança. Ela nunca sabe quando pode ou não fazer xixi.

Outra dica importante que também veio da creche: incentivar a ida ao banheiro de 15 em 15 minutos. Se mesmo assim a criança continuar fazendo “pipi fujão”, diminuir o tempo. Afinal, nós não temos noção do quanto a pequena bexiga deles pode suportar.

E, isso eu já sabia, nunca brigar quando tiver um “pipi fujão”. Eles estão aprendendo e não fazem de propósito. Uma briga fora de hora pode assustar a criança e atrasar o processo.

Mateus aprendeu a pedir para fazer xixi no vaso em dois ou três dias. E raramente hoje ele tem um “xixi fujão”.

Em relação ao cocô foi ainda mais simples. Como ele sempre foi muito regradinho para evacuar (de manhã e depois do almoço, em geral), há algum tempo já o colocávamos no vaso nestes horários.  Co isso, antes de desfraldar já pedia para fazer cocô no banheiro.

Mesmo numa semana complicada – babá internada, trabalho intenso e curso à noite duas vezes por semana – o desfralde foi mais próximo de um sonho do que um pesadelo. Então fica a dica: relaxem, porque pode ser mais simples do que a gente imagina.

Ah, vale lembrar que além de tudo Mateus não dispensa um livrinho enquanto está no vaso. Fazendo jus ao sexo masculino, ele logo grita: “Mamãe, traz o livro!”. E não pode ser qualquer um. Ele escolhe o título do dia.

Agora é aguardar a hora e a coragem para tirar a fralda da noite… Se bem que el já nem gosta muito de colocá-la…

 

 

Arraiá da Favinho.

É mês de festa junina e semana passada foi o Arraiá da Favinho. Teve brincadeira de montão, pipoca, canjica, milho, bolo de aipim e muitas outras comidas gostosas. Teve até passeio de charrete e, é claro, uma dança especial da minha turminha preparada pela Cris e sua equipe. O tema foi Luiz Gonzaga, que, como aprendi na escola, “usa chapéu de couro”. Papai foi às lágrimas mais uma vez.

Sobre Luiz Gonzaga:

 

Luiz Gonzaga

Foto: Mário Luiz Thompson

Luiz Gonzaga nasceu em Exu, Pernambuco, em 13 de dezembro de 1912. Foi um compositor popular. Aprendeu a ter gosto pela música ouvindo as apresentações de músicos nordestinos em feiras e em festas religiosas. Quando migrou para o sul, fez de tudo um pouco, inclusive tocar em bares de beira de cais. Mas foi exatamente aí que ouviu um cabra lhe dizer para começar a tocar aquelas músicas boas do distante nordeste. Pensando nisso compôs dois chamegos: “Pés de Serra” e “Vira e Mexe”. Sabendo que o rádio era o melhor vínculo de divulgação musical daquela época (corria o ano de 1941) resolveu participar do concurso de calouros de Ary Barroso onde solou sua música “ Vira e Mexe” e ganhou o primeiro prêmio. Isso abriu caminho para que pudesse vir a ser contratado pela emissora Nacional.

No decorrer destes vários anos, Luiz Gonzaga foi simbolizando o que melhor se tem da música nordestina. Ele foi o primeiro músico assumir a nordestinidade representada pela a sanfona e pelo chapéu de couro. Cantou as dores e os amores de um povo que ainda não tinha voz.

Nos seus vários anos de carreira nunca perdeu o prestígio, apesar de ter se distanciado do palco várias vezes. Os modismos e os novos ritmos desviaram a atenção do público, mas o velho Lua nunca teve seu brilho diminuído. Quando morreu em 1989 tinha uma carreira consolidada e reconhecida. Ganhou o prêmio Shell de Música Popular em 87 e tocou em Paris em 85. Seu som agreste atravessou barreiras e foi reconhecido e apreciado pelo povo e pela mídia. Mesmo tocando sanfona, instrumento tão pouco ilustre. Mesmo se vestindo como nordestino típico (como alguns o descreviam: roupas de bandido de Lampião). Talvez por isso tudo tenha chegado onde chegou. Era a representação da alma de um povo…era a alma do nordeste cantando sua história…E ele fez isso com simplicidade e dignidade. A música brasileira só tem que agradecer…

Fonte: http://www.mpbnet.com.br/musicos/luiz.gonzaga/index.html – texto de Tatiana Rocha

 

Olha pro céu

(Luiz Gonzaga e José Fernandes)

Olha pro céu, meu amor
Vê como ele está lindo
Olha pra aquele balão multicor
Como no céu vai sumindo

Foi numa noite igual a esta
Que tu me deste o coração
O céu estava assim em festa
Porque era noite de São João

Havia balões no ar
Xote, baião no salão
E no terreiro, o teu olhar
Que incendiou
Meu coração