Capoeira Camará!

Mamãe sempre sonhou com um filho que pegasse onda e fizesse capoeira. Ainda não me aventurei com uma prancha no mar (aliás, tio Rick, do próximo verão não passa, hein?!), mas comecei na capoeira ainda bem pequenininho. Parei por um tempo, mas agora voltei com força total. As aulas são lá na creche, com o Passarinho. Já aprendi muitos bichinhos como o sapo, o macaco, o elefante e a borboleta. Mas o que mais gosto é de ficar de cabeça pra baixo. Temos até um grito de guerra: Capoeira Camará!

 

 

Capoeira Camará

Pedro Moreno

Roda o pé na capoeira
Gira o mundo camará
Quem luta fica de pé
Mas quem não sabe cairá
Capo, capo, capo, capoeira
Camará entrei na dança
Desde a hora em que nasci
P’ra mamar chorei bem alto
P’ra amar só aprendi
Dentro da roda da vida
Apanhei como bati
Nas lutas do coração
Muitas vezes eu perdi
Capo, capo, capo, capoeira
Viver é estar em movimento
Se parar, lá vem um pé
Já levei muita rasteira
Nesta via eu levo fé
Camará vida ciranda
Vamos todos cirandar
Roda o pé na capoeira
Gira o mundo camará
Capo, capo, capo, capoeira

Arraiá da Favinho.

É mês de festa junina e semana passada foi o Arraiá da Favinho. Teve brincadeira de montão, pipoca, canjica, milho, bolo de aipim e muitas outras comidas gostosas. Teve até passeio de charrete e, é claro, uma dança especial da minha turminha preparada pela Cris e sua equipe. O tema foi Luiz Gonzaga, que, como aprendi na escola, “usa chapéu de couro”. Papai foi às lágrimas mais uma vez.

Sobre Luiz Gonzaga:

 

Luiz Gonzaga

Foto: Mário Luiz Thompson

Luiz Gonzaga nasceu em Exu, Pernambuco, em 13 de dezembro de 1912. Foi um compositor popular. Aprendeu a ter gosto pela música ouvindo as apresentações de músicos nordestinos em feiras e em festas religiosas. Quando migrou para o sul, fez de tudo um pouco, inclusive tocar em bares de beira de cais. Mas foi exatamente aí que ouviu um cabra lhe dizer para começar a tocar aquelas músicas boas do distante nordeste. Pensando nisso compôs dois chamegos: “Pés de Serra” e “Vira e Mexe”. Sabendo que o rádio era o melhor vínculo de divulgação musical daquela época (corria o ano de 1941) resolveu participar do concurso de calouros de Ary Barroso onde solou sua música “ Vira e Mexe” e ganhou o primeiro prêmio. Isso abriu caminho para que pudesse vir a ser contratado pela emissora Nacional.

No decorrer destes vários anos, Luiz Gonzaga foi simbolizando o que melhor se tem da música nordestina. Ele foi o primeiro músico assumir a nordestinidade representada pela a sanfona e pelo chapéu de couro. Cantou as dores e os amores de um povo que ainda não tinha voz.

Nos seus vários anos de carreira nunca perdeu o prestígio, apesar de ter se distanciado do palco várias vezes. Os modismos e os novos ritmos desviaram a atenção do público, mas o velho Lua nunca teve seu brilho diminuído. Quando morreu em 1989 tinha uma carreira consolidada e reconhecida. Ganhou o prêmio Shell de Música Popular em 87 e tocou em Paris em 85. Seu som agreste atravessou barreiras e foi reconhecido e apreciado pelo povo e pela mídia. Mesmo tocando sanfona, instrumento tão pouco ilustre. Mesmo se vestindo como nordestino típico (como alguns o descreviam: roupas de bandido de Lampião). Talvez por isso tudo tenha chegado onde chegou. Era a representação da alma de um povo…era a alma do nordeste cantando sua história…E ele fez isso com simplicidade e dignidade. A música brasileira só tem que agradecer…

Fonte: http://www.mpbnet.com.br/musicos/luiz.gonzaga/index.html – texto de Tatiana Rocha

 

Olha pro céu

(Luiz Gonzaga e José Fernandes)

Olha pro céu, meu amor
Vê como ele está lindo
Olha pra aquele balão multicor
Como no céu vai sumindo

Foi numa noite igual a esta
Que tu me deste o coração
O céu estava assim em festa
Porque era noite de São João

Havia balões no ar
Xote, baião no salão
E no terreiro, o teu olhar
Que incendiou
Meu coração