Férias em Gramado.

Mamãe tirou 15 dias de férias e fomos para Gramado, no Rio Grande do Sul. Papai não pode ir, mas a bá Cida nos acompanhou. Saímos daqui num domingo bem cedinho rumo a Porto Alegre. O vôo atrasou uma hora porque não tinha água no avião e ainda fizemos uma escala em Floripa. Mas a viagem foi tranquila e desta vez, diferente de quando fomos para Fortaleza, quase não dormi. No aeroporto de Porto Alegre a motorista Glaci nos aguardava e pegamos a estrada em direção à Gramado, mais uma hora e meia de viagem.

O Hotel Serrano é muito bom. Vários restaurantes, spa para a mamãe, parquinho pra mim e muitos, muitos laguinhos. Ao chegarmos fomos logo almoçar em um dos restaurante do hotel, mas nos primeiros dias eu não queria saber de comer. Depois mamãe foi dar uma volta comigo no centro da cidade, na Av. Borges de Medeiros, cheia de lojinhas (principalmente de chocolates) e au-aus. Fomos a pé, porque era muito perto do hotel, mas a volta foi dura porque mamãe, que está fora de forma, precisou enfrentar uma baita ladeira empurrado o meu carrinho. E, mesmo no inverno, pegamos um período de temperatura alta por lá. Neste primeiro dia, por exemplo, fez 27 graus.

No dia seguinte acordamos cedo, tomamos café da manhã no hotel (adorei um “biscoitinho” coberto de açúcar) e encontramos com a Glaci para irmos ao Zoológico de Gramado. Limpo, muito bem cuidado, este zoológico reúne animais da fauna brasileira. Logo no começo, a parte que eu mais gosto, as aves. E muitas delas ficam soltas. Tinha tucano, arara, papagaio e vários tipos de “piu-pius”. Havia um louro tagarela que conversava com a gente: “Oi, eu sou o Louro”, ele falava. Eles faziam a maior barulhada.

Mais a frente dei comidinha para as Emas e logo depois fui visitar os micos e os macacos. Desses aí eu tive um pouco de medo. Mas acabei até trazendo o Chico, uma macaco de pelúcia que mamãe comprou na lojinha do Zoo. Ainda cansado da viagem, peguei no sono bem no meio do passeio, mas mamãe e Cida continuaram e viram muitos outros bichinhos: a pantera negra, a onça pintada, o jacaré…

Depois do almoço na casa de café colonial Bela Vista, a mais tradicional da cidade, fomos visitar a fábrica de chocolates Caracol. Conhecemos a história do chocolate através de bonecos e cenários, até que chegamos a uma loja repleta deles. Mamãe e Cida fizeram a festa. E voltamos lá várias vezes depois.

Para fechar o dia, um passeio no Lago Negro onde adorei ver os gansos e correr atrás dos passarinhos. Foi um dos lugares que mais gostei e aproveitei.

No terceiro dia de viagem fomos direto para o Mini Mundo, um espaço muito bacana com miniaturas que representam alguns países ao redor do mundo. São importantes obras da humaninade, desde as mais contemporâneas, como o aeroporto de Barilhoche, até construções históricas como o Castelo de Neuschwanstein , na Alemanha. Era tudo do meu tamanho, mas confesso que acho que vou curtir mais este passeio quando for um pouco maior. Desta vez o que eu mais gostei foi do urso que soltava bolinhas de sabão. Hã?!

Saímos de lá direto para o almoço, num restaurante de comida caseira onde descobri um sopinha de legumes que foi a salvação. Ficava revezando esta sopa com o crene de mandioquinha do serviço de quarto do hotel. Enquanto mamãe e Cida almoçaram tirei uma soneca e quando acordei fomos conhecer a Aldeia do Papai Noel, onde fica a casa do bom velinho aqui no Brasil. Além da casa dele (onde conheci seu quarto, sua cozinha, seu banheiro e ainda tirei uma foto com ele), tem também a fábrica de brinquedos, as renas (a quem chamei de au-au), a árvore dos desejos, o presépio com bonecos eletrônicos, o chalé dos ursos, a praça da neve, o museu dos brinquedos, um mirante com vista para o Vale dos Quilombos e muito mais. Lá eu andei pela primeira vez num carroussel. Depois do Lago Negro acho que foi o passeio que mais gostei. Saímos de lá tarde e fomos para o hotel. À noite percebemos que o tempo ia mudar porque não conseguíamos enxergar nada da varanda do quarto tamanha era a cerração.

O quarto dia realmente amanheceu mais frio e pude usar meu casacão vermelho. Depois do café fomos para Canela, uma cidade que fica apenas a 7 Km de Gramado. Conhecemos o belo Parque do Caracol, onde tem uma cachoeira linda. A vimos do mirante e depois subimos no elevador panorâmico para termos um ângulo diferente. Eu não parava de falar “aua, aua”. Era muita “aua”. No parque eu também andei pela primeira vez de trenzinho e passeei na vila dos imigrantes, onde conheci um pouco da história dos colonizadores alemães e italianos.

Depois demos um giro de carro pela pequena cidade  e conhecemos a imponente Catedral de Pedra, onde encontrei com o Papai do Céu. Neste dia almoçamos na churrascaria Zelão e no retorno para Gramado ainda demos uma paradinha na loja de casacos de couro que mamãe estava de olho  (mamãe, é claro, comprou um para ela e outro para o papai) e numa adega onde degustamos e compramos suco de uva, vinho, prosecco e salame. Foi o dia em que chegamos mais tarde ao hotel.

Finalmente chegou a quinta-feira, o dia da volta. Mas como marcamos com a Glaci às 15 horas, ainda dava tempo para os últimos passeios e para as últimas comprinhas. De manhã fomos conhcer o Mundo à Vapor, que fica na estrada em direção à Canela (no dia anterior estava fechado). Esta é outra atração que acho que curtirei mais quando crescer um pouco. Mas mamãe e Cida gostaram muito. São réplicas das máquinas que representam o processo de industrialização do mundo moderno, todas elas usando a força do vapor. Bem, eu acabei ganhando um trenzinho muito legal que anda e faz “piuí”.

De lá, voltamos à  Gramado para dar o último passeio pela Av. Borges de Medeiros. Conhecemos a igreja de São Pedro que não é tão bonita por fora quanto a de Canela, mas é linda por dentro com o contraste entre as paredes de pedras cinzas e os vitrais coloridos. Andamos pela Rua Coberta, pela Praça Major Nicoletti e tiramos fotos no Palácio dos Festivais e no termômetro que neste dia, o mais frio de nossa estadia, marcava 12 graus.

Depois de comprarmos mais alguns chocolates fomos almoçar na galeteria Nonno Mio (dormi antes de chegar ao restaurante, pois estava exausto) e de lá voltamos para o hotel. Almocei no parquinho, tirei fotos nos laguinhos e pouco depois das 15 horas Glaci nos levou para o aeroporto de Porto Alegre. Voltamos na classe executiva e desta vez o vôo, sem escalas e sem problemas técnicos, foi bem mais rápido. Chegamos no Galeão 15 minutos antes do previsto e pude matar as saudades do meu papai.